|
A
prevenção e o controle das infecções
hospitalares são um dos principais temas de campanhas desenvolvidas
por órgãos de saúde internacionais como a
Organização Mundial da Saúde e o Institute
for Health Improvement dos Estados Unidos. Entretanto, recente
pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo aponta
que 90% das instituições de saúde no Brasil
não contam com uma Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH). Por ser um dos indicativos mais relevantes para
aferição da qualidade tanto do atendimento clínico
e assistencial quanto dos processos gerenciais, a constituição
e o pleno funcionamento de uma CCIH são quesitos obrigatórios
no processo de Acreditação e regidos por uma legislação
específica, através da Portaria Ministerial nº 2616/98.
“Nas instituições acreditadas, a CCIH deve atuar
efetivamente como um órgão assessor técnico
da direção geral, além de ter um papel executivo
dentro dos Comitês ou Coordenações de Qualidade”,
ressalta Heleno Costa Jr., coordenador de educação
do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA).
A formação multidisciplinar da equipe é, ainda
segundo Heleno, outro aspecto relevante. Acreditado pela Joint Commission
International/Consórcio Brasileiro de Acreditação
desde agosto de 2008, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP),
no Rio de Janeiro, conta com uma CCIH que tem à frente uma
especialista em infectologia e uma enfermeira. “A comissão
tem o papel de garantir a segurança dos pacientes através
de ações de prevenção de complicações
infecciosas relacionadas à assistência hospitalar e
garantir o seu rápido diagnóstico e tratamento, quando
a prevenção não for possível”,
afirma a infectologista e mestre em Saúde Pública,
Isabella Albuquerque.
“A CCIH tem que focar na participação do corpo
médico e de enfermagem com programas institucionais elaborados
e cronogramas de atividades anualmente estabelecidos. Estas comissões
devem assumir condutas preventivas, eliminando a cultura de reatividade
frente à ocorrência de infecções”,
ensina Heleno. Os padrões de Acreditação Internacional
exigem que a CCIH seja composta por todas as áreas envolvidas
nos processos de cuidado prestados aos pacientes, como nutricionistas,
fisioterapeutas, farmacêuticos, hemoterapeutas e outros. “O
controle efetivo e contínuo fez com que consigamos trabalhar
com índices bastante baixos de infecção hospitalar”,
relata Isabella. As ações da CCIH devem ser divulgadas
sistematicamente para as lideranças dos serviços. Todos
esses resultados, assim como, os indicadores clínicos e assistenciais
relacionados com a vigilância epidemiológica, também
são foco de avaliação e discussão dos técnicos e avaliadores do Consórcio Brasileiro de
Acreditação (CBA) e da Joint Commission International
(JCI). |